Vivemos numa sociedade que pelo menos na superfície preza pela perfeição. O bom não basta mais para nada, só importa se for perfeito, somos cobrados a ter performances dignas de profissionais experientes até mesmo em nossos hobbies.
Com isso as pessoas perderam a perspectiva do porque devem ser eficientes. Estamos banalizando até mesmo o perfeccionismo, pois pressionamos tanto que ele deixa de ser uma característica de personalidade e se torna uma exigência curricular que deve ser aprendida. Ou como ocorre com muitos, muito bem simulada.
Com isso não quero dizer que buscar a perfeição naquilo que fazemos não é o correto, mas sim questiono as motivações e os métodos pelas quais buscamos isso. Ser eficiente apenas em troca de um aumento de salário funciona? Será que na ânsia de mostrar qualidade muitos não criam uma imagem que não condiz com a realidade? E a famosa puxada de tapete, quantos não fazem isso por aí só para se destacar em cima de outra pessoa e se mostrar eficiente? Duvido que cada leitor deste blog não tenha presenciado algo assim pelo menos uma vez.
Dito isso, qual é a verdadeira perfeição? Acredito que antes de qualquer coisa é assumir a imperfeição e não se envergonhar dela. Seus defeitos e limitações são alguns dos elementos que te definem. Omiti-los só traz dor e ninguém evolui a partir da dor. Após assumir a própria imperfeição, devemos focar naquilo que amamos fazer e aí sim buscar a excelência nisso. Antes de mais nada deve ser feliz naquilo que faz.
A excelência reside na construção do caminho e não no final da estrada.
O verdadeiro perfeccionismo só é alcançado quando se possui amor incondicional pelo que se faz. Com isso, fica a pergunta, quantos aí realmente poderiam dizer que possuem esse amor?
quinta-feira, 5 de julho de 2012
A motivação da eficiência
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Quem é Designer?
A profissão de Design é extremamente peculiar devido a falta de organização e identidade do setor.
Na prática, poucas pessoas sabem definir o que é ser Designer. Mas o que faz de um Designer um Designer?
1 – Formação
A grade de estudo de um Designer é um dos maiores problemas aqui no Brasil, pois é muito fácil mascarar um curso de especialização em software como se fosse ensino de Design.
Para visualizar mais fácil, pense num marceneiro que faz curso de como empunhar um martelo e recebe certificação de Marcenaria. É isso que as escolas de Software fazem com a profissão de Designer.
Na prática, se seu curso teve foco em ferramentas, tais como Photoshop, Ilustrator, 3D Studio, etc, isso não vai ter ensinado à você o que precisa para ser um Designer completo. O curso ideal deve ter obrigatoriamente na grade materias sobre História da arte, psicologia da percepção, Gestalt, Ergonomia, Usabilidade, Processos gráficos, Tipografia, Desenho, etc.
2 – Prática
A teoria é uma metade da equação, a outra parte refere-se a como você aplica o que aprende no dia a dia. Como você soluciona os problemas que te são apresentados nos jobs, tudo isso gera uma bagagem que se torna essencial para direcionar o conhecimento teórico.
Já ouviu falar que Designer tem que ter Portfólio? Isso é assim porque é no portfólio que você demonstra a transformação do aprendizado em ação.
3 – Experimentação
Design é uma área de estudo, exige constante renovação, leitura, pesquisa e reciclagem. Saber experimentar coisas novas respeitando o briefing é uma necessidade.
Mas é sempre bom lembrar que isso só é possível após uma pesquisa ampla sobre o tema a ser criado. Daí surge a pesquisa de referências.
4 – Saber agregar valor
Nada do que disse até agora não adianta de nada se o trabalho não agregar valor cultural e econômico ao produto final. Design diga-se de passagem nasceu exatamente para isso. Agregamos valor as coisas, as tornamos melhores, mais interessantes e com objetivos definidos.
Para exemplificar tente pensar no projeto do iPhone, muitos consideram que foi ali que as telas touch se tornaram parte da cultura digital.
Então não importa que produto seja, se você ao realizar o trabalho o valorizou por meio de um projeto de melhorias focado na interação com um ser vivo (sim ser vivo, pois o cara que projeta brinquedos para cachorros, também é filho de Deus, certo?), você executou um projeto de Design.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Forma, Função e Tecnologia.
Em diversos artigos abordei sobre o que é ser um Designer, seu valor no mercado e suas obrigações como comunicador social. Hoje vamos expandir um pouco mais esses conceitos falando do tripé básico que norteia a atuação do Designer.
1 – Função
Não existe nenhuma peça sem função definida, este é o ponto de minerva que separa o ofício de Designer de qualquer outra expressão artística. Tudo que o Designer cria tem que ter alguma funcionalidade, algum objetivo, um porque de existir!
E essa função deve ser criada com base em pesquisa no público alvo, além de um cuidadoso estudo em cima dos dados dessa pesquisa. Convêm ao Designer inclusive vivenciar a cultura do povo que irá usar a peça em questão para ter certeza que a função do objeto criado, adapte-se totalmente ao público.
2 – Forma
Definida a função do objeto, é preciso definir a forma deste objeto. O desenho correto da forma(conceito que agrupa em si, o desenho da peça, cores, etc.) pode dar uma grande vantagem ao produto, além de garantir que ele seja agradável ao público que será foco da peça a ser criada.
Novamente deve ser baseado no nicho de mercado para qual a peça que estamos criando está sendo feita. Um erro comum nesta etapa é fazer algo generalizado ou baseado em premissas incorretas.
Devemos lembrar que este mundo globalizado não se agrupa apenas em mercados regionais, mas em nichos culturais também. Um exemplo para isso ficar claro: Se desenvolvermos um produto para a promoção de um Mangá, iremos observar o fenômeno de que apesar do Mangá ser de origem Japonesa, todas as pessoas que participam do nicho cultural do Mangá, independente de sua região, cultura local ou características regionais, compartilham os mesmos hábitos quando se refere ao gosto pelo Mangá (objeto gerador do nicho) com leves variações apenas nos temas preferidos (neste ponto é que ocorre a aculturação do nicho). Então a partir do estudo dessas similaridades é que iremos escolher a forma de nosso produto.
3 – Tecnologia
Para falar disso, vai um simples exemplo: Imaginem que quando o homem imaginou que poderia economizar trabalhando ao arrastar objetos (função), ele deveria criar um objeto cilíndrico, que tivesse um furo no meio para poder prender ali uma haste, uma roda!(forma). Muito bem, ele já definiu duas coisas. Mas digamos que ele não tivesse os meios para esculpir a pedra, o que teria sido de nós?
Agora que vislumbramos a possibilidade da roda ter ficado “quadrada” dá para entender de forma simples e direta a importância da evolução tecnológica para a concepção de qualquer produto do Designer.
Uma última dica para encerrar é rever a palestra do Porquê do design, de Philippe Starck. Onde ele descreve de forma muito divertida como se ater à estes princípios sem correr o risco de se tornar um profissional egoísta no exercício de sua função.